Queda de cabelo depois de estresse ou dieta: o que é eflúvio telógeno
Por Sthefanye Santos, nutricionista (CRN-3 62817) · 1 de novembro de 2026 · 2 min de leitura
Você passou por um período difícil, emagreceu rápido, teve febre alta ou um bebê. Alguns meses depois, o cabelo começou a cair em quantidade. Essa sequência tem nome: eflúvio telógeno, uma das causas mais comuns de queda de cabelo em mulheres.
O ciclo do fio em poucas palavras
Cada fio passa por três fases:
- Crescimento (anágena): dura anos.
- Transição (catágena): dura algumas semanas.
- Repouso (telógena): dura cerca de 3 meses. No fim dela, o fio cai para dar lugar a um novo.
Em um dia comum, perder em torno de 50 a 100 fios é normal.
O que acontece no eflúvio telógeno
Um evento que exige muito do corpo faz uma parte maior dos fios sair da fase de crescimento e entrar em repouso ao mesmo tempo. Como o repouso dura cerca de 3 meses, a queda costuma aparecer de 2 a 3 meses depois do gatilho. Por isso, muita gente não liga uma coisa à outra.
Gatilhos comuns
- Estresse emocional intenso
- Dietas muito restritivas ou perda de peso rápida
- Febre alta, infecções e doenças como a COVID-19
- Pós-parto
- Cirurgias
- Início ou interrupção de alguns medicamentos, como anticoncepcionais
- Carências nutricionais, como ferro baixo e pouca proteína na alimentação
Como ele costuma aparecer
- Queda espalhada pela cabeça toda, e não em falhas
- Muitos fios no banho, na escova e no travesseiro
- Fios que caem com uma pequena "bolinha" branca na ponta, que é a raiz em repouso
- Volume menor, mas com o couro cabeludo saudável
Ele passa?
Na maioria dos casos, sim. Quando o gatilho foi pontual e já ficou para trás, a queda tende a diminuir em alguns meses e os fios voltam a crescer. Como o cabelo cresce em média 1 centímetro por mês, a recuperação do volume leva tempo.
Quando a queda dura mais de 6 meses, fala-se em eflúvio telógeno crônico. Nesses casos, vale investigar se existe um fator que continua presente, e as carências nutricionais estão entre os mais comuns.
Onde a nutrição entra
O corpo precisa de matéria-prima para produzir fios novos. Na prática, isso significa:
- Comer energia suficiente, sem dietas que deixam o corpo em alerta
- Distribuir bem a proteína ao longo do dia
- Investigar ferro, vitamina D, B12, zinco e outros nutrientes nos exames e corrigir o que estiver faltando
- Cuidar do intestino, que é por onde esses nutrientes são absorvidos
Quando não é eflúvio
Falhas arredondadas, afinamento progressivo no topo da cabeça, coceira, dor ou vermelhidão apontam para outras causas, como alopecia areata, alopecia androgenética ou problemas no couro cabeludo. Nesses casos, procure um dermatologista. A nutrição pode caminhar junto, mas não substitui essa avaliação.
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