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Queda de cabelo: quais exames investigar e o que eles mostram

Por Sthefanye Santos, nutricionista (CRN-3 62817) · 1 de novembro de 2026 · 3 min de leitura

Quando o cabelo começa a cair mais do que o normal, a primeira reação costuma ser trocar o shampoo ou comprar um suplemento. Mas a queda quase sempre é um sinal de que algo no corpo mudou. E boa parte dessas mudanças aparece em exames de sangue simples.

Neste texto você vai ver quais exames costumam entrar na investigação da queda capilar e o que cada um pode mostrar. Ele não substitui uma consulta: serve para você chegar mais preparada a ela.

Por que o cabelo depende tanto do que acontece por dentro

A raiz do fio está entre as estruturas que mais se multiplicam no corpo. Para manter esse ritmo, ela precisa de energia, proteína, ferro, zinco, vitaminas e hormônios em equilíbrio. Quando falta alguma coisa, o organismo prioriza os órgãos vitais, e o fio tende a ser um dos primeiros a sentir.

Os exames que costumam entrar na investigação

Hemograma e ferritina

O hemograma mostra se existe anemia. A ferritina mostra o estoque de ferro do corpo. É comum a ferritina estar baixa mesmo com o hemograma normal, e estudos associam o estoque baixo de ferro à queda de cabelo em mulheres, principalmente em quem tem fluxo menstrual intenso, não come carne ou teve um bebê recentemente.

Ferro sérico, transferrina e saturação de transferrina ajudam a completar essa leitura.

Vitamina D

A vitamina D participa do ciclo de crescimento do fio. Níveis baixos são frequentes no Brasil, inclusive em quem toma sol, e aparecem com frequência em pessoas com queda.

Vitamina B12 e ácido fólico

Os dois participam da multiplicação das células, inclusive as da raiz do fio. A B12 merece atenção especial em quem usa remédios para o estômago por muito tempo, usa metformina, tem alterações intestinais ou não come carne.

Zinco

O zinco é importante para a produção de proteínas e para a defesa do organismo. A falta dele pode se relacionar à queda, mas o excesso de suplementação também traz problemas. Por isso, a dose precisa ser pensada para cada pessoa.

Tireoide

TSH, T4 livre e, em muitos casos, T3 livre e anticorpos como o anti-TPO. Tanto a tireoide lenta quanto a acelerada podem aumentar a queda. Alterações aqui precisam de acompanhamento médico, e a nutrição cuida dos nutrientes que a tireoide usa para funcionar, como selênio, iodo, zinco e ferro.

Marcadores de inflamação

A PCR (proteína C reativa) e a relação entre neutrófilos e linfócitos, que aparece no hemograma, ajudam a entender se existe um processo inflamatório consumindo os nutrientes que o fio usaria.

Glicemia, insulina e hormônios

Glicemia, insulina e hemoglobina glicada mostram como o corpo lida com o açúcar. Em mulheres com ciclo irregular, acne ou suspeita de síndrome dos ovários policísticos, o médico pode investigar também hormônios como testosterona e prolactina.

Referência não é o mesmo que ideal

Cada exame vem com uma faixa de referência, que representa a média da população. Estar dentro dela é importante, mas nem sempre significa estar no ponto ideal para o seu cabelo. Uma ferritina no limite de baixo, uma vitamina D apenas suficiente e um zinco no limite, juntos, podem contar uma história que nenhum deles conta sozinho.

Por isso, a nutrição funcional lê os exames em conjunto, ao lado dos seus sintomas, da sua alimentação e da sua rotina.

Cuidado com a suplementação no escuro

Tomar uma "vitamina para cabelo" sem saber o que falta pode não resolver e, em alguns casos, piorar. O excesso de vitamina A e de selênio, por exemplo, está associado a mais queda. A suplementação faz sentido quando é pensada para o seu caso.

Quando procurar também o dermatologista

Se a queda vem com falhas arredondadas, coceira, vermelhidão ou dor no couro cabeludo, ou se o afinamento é progressivo no topo da cabeça, procure um dermatologista. O cuidado nutricional complementa o médico, nunca o substitui.

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Este texto é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento. Os resultados podem variar de pessoa para pessoa.